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Anedotas

Num descampado do centro da Austrália um cangurú entra num bar e pede um whisky.
O barman, admirado, pede-lhe os cinco contos da conta e diz :
- Há vinte anos que estou aqui e é o primeiro cangurú que me pede uma bebida.
Responde o cangurú:
- Pudera, com o whisky a este preço.



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Biografia

Poeta e dramaturgo, João Negreiros nasceu em Matosinhos a 23 de Novembro de 1976.


Muito novo, escrevia já teatro, poesia e prosa poética.


A primeira peça de teatro, surgiu aos dezasseis anos e o seu primeiro livro de poesia, "Horas Extraordinárias", foi escrito entre os quinze e os dezassete anos.


Na área do teatro, a sua obra foi crescendo, sendo hoje bastante extensa. Nela se incluem as peças "O Outro lado da bola de Berlim", 1997, "Santã", 1997, "Cinderela e os três porquinhos", 1998, "A Saga do Super Agente", 1998, "Mónica e o Terceiro Desejo", 1999, "T-Clube", 1999, "A Princesa e o Eremita", 2000, "Os Inúteis", 2002, "Bendita", 2004, "O sussurro de quem beija" e "Os Vendilhões do Templo", ambos de 2006.


Os textos de prosa poética, as crónicas e os contos, entre outros, continuaram também a ser criados, tendo, em Outubro de 2002, sido publicado na Revista QUO o Conto de Ficção Científica "Capitão Spalding – A Origem".


Desde 2004 têm vindo a ser escritos, numa frequência quase diária, textos de humor integrados no projecto Sentido de Amor.


No âmbito da poesia, a sua obra não tem, de igual modo, parado de crescer, havendo já, neste momento, quatro livros concluídos: "Horas Extraordinárias", "Agulha num poleiro", "A vaca que de tão contente múrria" e "O cheiro da sombra das flores".


Os seus primeiros textos apresentam já muitos dos traços que caracterizam a sua escrita actual: uma grande maturidade literária patenteada numa escrita tecnicamente perfeita, uma estética cómico-dramática muito acentuada, um sentido crítico mordaz e certeiro, uma consciência avassaladora do mundo que o rodeia, uma busca incessante da justiça, uma sintonia assustadora de tão perfeita com as vivências dos outros, uma capacidade invulgar de compreender a perspectiva de todos, um conhecimento profundo da fragilidade humana, um arrojo, um despojamento e uma despretensão inigualáveis e uma liberdade de pensamento surpreendente de tão ilimitada.


Os seus textos apaixonam quem os lê. São arrebatadores das mais variadas formas: ora fazem rir muito pelo sentido de humor desconcertante e, por vezes, agressivo; ora fazem enternecer e até chorar pelas fragilidades que expõem; ora fazem arrepiar pela pertinência das questões que levantam e que estremecem as nossas vidas, por vezes demasiado seguras, por vezes demasiado certas, por vezes demasiado cómodas, por vezes demasiado surdas, demasiado cegas, demasiado dormentes e caladas.


A sua obra poética que é marcada por uma forte influência surrealista é muitíssimo eclética e absolutamente inovadora na técnica literária e nos conceitos abordados.


A sua poesia emociona, arrebata e apaixona perdidamente e talvez por isso foi já alvo da atenção e do apadrinhamento de um grande poeta português, Joaquim Pessoa, que, no prefácio do livro "O cheiro da sombra das flores", escreveu: "…um jovem poeta que conhece, apesar dessa juventude, os caminhos, os segredos, a magia e a força do discurso poético, que com ele se assume numa afirmação própria e inequívoca, sem epigonismos, transformando com invulgar talento as diversas vozes que há na sua voz, de modo a oferecer-nos um canto em que a dúvida, a interrogação do outro, a confrontação do indivíduo com a realidade é, às vezes, dolorosa e, muitas vezes, incómoda. A sua repetição rítmica das palavras, das ideias, dos conceitos é uma arma de confronto, de arremesso contra uma realidade parada ou contra o indivíduo parado num palco que se move à sua volta. (…) Não é comum esta poesia hoje. Não é vulgar, no panorama de nova poesia portuguesa ou, se se quiser, na poesia portuguesa dos mais novos, esta coragem de enfrentar o leitor. Negreiros rasga, fere, incomoda, impacienta. (…) Os outros são, afinal, o alimento da sua poesia, ao contrário do culto narcisista da maior parte da poesia que hoje se faz e se divulga, quase toda já escrita e já lida, onde cada livro tem dificuldade em inovar, em criar diferenças. E é por isso que, citando-o, há sempre lugar para mais um. Mas um que é mais. Um cujo canto é livre em relação a si mesmo e em relação aos outros, um que sobressai do imenso Cancioneiro Geral e medíocre daqueles que não aprenderam ainda a decisiva lição de que se pode cantar com várias vozes na voz com um timbre único e original."

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